O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior, responsável pela defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, réu pelas mortes da ex-namorada, Thays Machado, e do namorado dela, Willian César Moreno, afirmou que a busca pelo exame de sanidade mental de seu cliente não foi nenhuma "estratégia" e chegou a desafiar a acusação: "Qual é o medo?". Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira (21), momentos antes do início do julgamento de Carlinhos, Elson explicou a legalidade do pedido.
"Não se chama estratégia a partir do momento que você tem essa previsão legal no código. Quando você pensa no homem médio, qual que é o ideal do homem médio? Aquela pessoa que você olha e fala: não existe nenhum excesso. Todas as vezes que você olha para um fato e existe um excesso, algo ali está acontecendo. E quem vai poder dizer isso? Eu não posso, sou advogado. Quem é melhor do que eu para isso? Um psiquiatra forense, um psicólogo forense, pessoas que estudaram a psique", pontuou Elson.
Elson destacou que a defesa não procura por "impunidade", mas busca um "julgamento justo" para Carlinhos. O advogado afirmou ainda que Carlinhos permanecerá preso mesmo com o pedido de exame de sanidade mental e que a medida busca apenas assegurar o pleno direito de defesa, permitindo que a defesa conteste os elementos apresentados pela acusação durante o processo.
O advogado questionou ainda a falta de tempo hábil para análise do processo e alfinetou a acusação. "Qual é o medo que a acusação tem de entregar, com tempo hábil, acesso ao processo? Qual é o medo que a acusação tem, de que a defesa tenha acesso a toda a árvore processual? Porque quando você pensa num processo penal, esquece que ele vai ramificando. E nós temos diversos processos dentro de um processo só. Quando a gente começa a analisar, a destrinchar isso, nós passamos pra mais 6 mil páginas", apontou.
O julgamento acontece três anos após o crime.
Relembre o crime
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora. William a acompanhava.
Conforme publicado, Thays estava em um relacionamento com Willian há cerca de um mês quando, na madrugada do dia do crime, ela foi ao aeroporto para buscar o atual namorado. Na data, os dois foram abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo.
Ela ligou para o 190 e denunciou a situação. Na ligação, ela foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, “caso fosse necessário”. De acordo com as investigações, Thays não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia e pedir medida protetiva.
Um pouco mais tarde, por volta das 17h daquele dia, ela e Willian Moreno foram mortos na calçada do edifício onde a mãe de Thays morava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.
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onofre 21/07/2026
Pra matar foi machão, agora quer fugir das consequências...
Eduardo 21/07/2026
Virou moda agora advogado abandonar júri.
2 comentários