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Judiciário Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022, 19:26 - A | A

Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022, 19h:26 - A | A

CASO TONI FLOR

À Justiça, viúva confessa que mandou matar marido, mas desistiu do crime - leia

Ana Flor alegou que ideia do homicídio surgiu depois de um episódio de violência doméstica

Allan Pereira

Reprodução

Ana Flor, Ana Claudia Souza Oliveira Flor

A viúva Ana Cláudia de Souza Oliveira Flor confessa que mandou matar o marido empresário Toni Flor e disse que chegou a falar com os executores, mas logo depois desistiu da ação e não deu aval para concretizar a execução. Apesar disso, o homem foi morto no dia 1º de agosto de 2020, por volta das 7h, quando ia a uma academia. A confissão ocorreu durante audiência de instrução na noite desta quinta (24).

Para a reportagem do , Ana havia negado a intenção ou ter dado ordem para matar o marido. "Não tive nada a ver com isso", disse ela, em entrevista publicada 45 dias depois de sua prisão.

Nesta quinta (24), antes de ser ouvida na audiência, o réu Igor Spinoza, acusado de ser o autor dos disparos, afirmou que a mulher pediu a morte do empresário e que chegou a encontrar com ela no mesmo dia do crime para receber o dinheiro.

Na audiência, Ana afirmou que era vítima de agressões e ameaças por parte de Toni, que era muito ciumento e violento. Disse que chegou a registrar três boletins de ocorrências contra ele. Ela aponta que, toda vez em que falava de separação, era ameaçada de morte.

Cita que a ideia do homicídio surgiu 40 dias antes da morte do marido. Na ocasião, Ana conta que foi agredida, saiu correndo e Toni pegou uma faca, avançando sobre ela. A filha mais velha entrou na frente dos dois e o pai a ameaçou de morte. "Ele me ameaçou e falou "mato você e as crianças e me mato", registra.

Após isso, ela saiu de casa e foi para a casa da manicure Ediane, que era sua conhecida e sabia que ela morava sozinha. Ana relata que, durante a conversa, a manicure falou que poderia resolver a situação das agressões e ameaças para ela. A mulher achou que ela estava falando de dar uma surra em Toni, mas a ideia era de matá-lo.

Ana confessou que aderiu a ideia. A Ediane passou o contato dela para os executores, que procuraram a viúva e se ofereceram a fazer o "serviço", no mesmo dia da briga. A viúva diz que os criminosos chegaram a perguntar se não era por conta de outro homem ou para ficar com o dinheiro, pois, caso contrário, não iriam matá-lo.

A viúva falou que, após o momento da raiva, ela reatou com Toni. Depois disso, ela diz que foi procurada pelos próprios criminosos pela rede social e também por ligação, cobrando R$ 60 mil pelo serviço. Negou também que tenha passado fotos, informações de rotina, endereço de academia ou qualquer outro detalhe do Toni ou de sua vida.

Ana afirma que nunca voltou para o assunto da ideia de matar o marido. "Nem lembrava da burrada", chegou a falar a viúva na audiência. Meses depois da morte do Toni, ela diz que recebeu ligação dos criminosos para cobrar o dinheiro, apesar de não ter dado o aval.

Reprodução

toni flor e ana flor

Desistiu de ir à polícia

Diz que os criminosos ficaram insistindo e contaram de toda a rotina da Ana e das filhas e que ficou assustada. Por isso, pagou R$ 30 mil a uma pessoa de boné e máscara facial por conta da pandemia de covid-19. Ela não soube reconhecer a pessoa e não apontou para nenhum dos três acusados - Wellington, Dieliton e Igor.

Questionado pelo juiz Flávio Miraglia do porquê não ter procurado a polícia, Ana disse que até pensou em ir, mas desistiu da ideia e preferiu pagar o que tinha aos criminosos. O magistrado insistiu que era incomum os bandidos aceitarem um serviço sem qualquer promessa de pagamento ou vínculo emocional. Mas ela disse que marginais não são pessoas convencionais.

Negou também que tenha relações extraconjungais. Sobre as campanhas por justiça na procura pelo responsável pela morte do marido, ela disse que nem se lembrava mais do pedido de morte. Disse ainda também que, mesmo sem ter dado aval, sentiu alívio com a morte do marido.

Ao ser perguntada das três filhas, Ana chorou e disse que está muito mal longe delas. Cita que uma das filhas emagreceu muito depois da sua prisão e a mais velha tentou contra a própria vida. “Meu coração de mãe não aguenta [com essas notícias das filhas]”, diz.

Depois de falar na audiência, o juiz Flávio Miraglia, da 12ª Vara Criminal, deu cinco dias para o Ministério Público apresentar os memoriais. A defesa terá o mesmo prazo para apresentar suas alegações finais. Depois disso, o magistrado deve dar sua decisão.

Caso

Conforme já noticiou , Toni Flor foi morto no dia 1º de agosto de 2020, por volta das 7h, em frente a uma academia. A investigação da Polícia Civil levou que o empresário foi atingido por tiros efetuados por Igor, a mando de sua então esposa.

Eles estavam casados há 15 anos e tinham 3 filhas. Apesar disso, casamento estava passando por problemas em decorrência de casos extraconjugais.

“Ana Claudia começou a engendrar um plano para extinguir a vida de Toni e, para tanto, pediu auxílio à sua manicure e amiga Ediane na procura por um “matador”, oportunidade em que esta acendeu à macabra solicitação e contactou Wellington que, por sua vez, com o auxílio de seu amigo Dieliton, “terceirizou” o serviço homicida, propondo que a execução do crime fosse perpetrada por Igor Espinosa, que aceitou a tarefa”, diz a denúncia do MPE.

Durante a investigação da Polícia Civil, foi constatado que o crime foi encomendado mediante oferta de pagamento no valor de R$ 60 mil. Contudo, Ana Claúdia teria repassado apenas R$ 20 mil. Consta nos autos que os detalhes do crime foram discutidos em reunião virtual via WhatsApp.

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