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Judiciário Sexta-feira, 29 de Outubro de 2021, 11:34 - A | A

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ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Transações financeiras às vésperas da Curare levaram à prisão de ex-secretário

Nesta segunda fase, mais de R$ 44,3 milhões foram bloqueados dos investigados. 

Renan Marcel e Bárbara Sá

Depósitos realizados por diversas empresas em julho deste ano, às vésperas da primeira fase da Operação Curare, são apontados como os "fatos novos e contemporâneos" que justificam o pedido de prisão preventiva contra o ex-secretário Saúde de Cuiabá e ex-diretor da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Célio Brito Rodrigues. Ele está preso desde ontem (28) quando a Polícia Federal deflagrou a segunda fase, denominada Operação Cupincha.

Um dos repasses financeiros em julho foi feito pela empresa Smalled Serviços Médicos e Hospitalares Eireli, que transferiu dinheiro (quantia não revelada) para a empresa LV Serviços Médicos e Hospitalares. Já a empresa Ultramed - Serviços Médicos e Hospitalares enviou valores para a MedPremium Comércio e Distribuidora de Produtos Médicos e Hospitalares LTDA.

Conforme o pedido de prisão preventiva e busca e apreensão, os agentes da PF identificaram, além dos repasses financeiros das empresas investigadas, conversas suspeitas entre Célio Rodrigues e o empresário Liandro Ventura da Silva, que está foragido e é apontado como "uma espécie de assistente" do ex-secretário. Na troca de mensagens, Liandro presta contas sobre a empresa Cuyabana Cervejaria Artesanal LTDA, que teria sido comprada no início deste ano com o suposto desvio de recursos destinados ao combate da pandemia da covid-19.

Rodinei Crescêncio

Ex-secret�rio Celio Rodrigues

"É de se reconhecer que as mesmas circunstâncias fáticas e jurídicas criadas nos últimos que permitiram, em tese, a criação e estruturação da organização criminosa voltada para o desvio de recursos públicos na área da saúde do município de Cuiabá/MT e a lavagem do dinheiro permanecem íntegras até o presente momento, razão pela qual é possível afirmar tratar-se de fatos contemporâneos", diz trecho da decisão do juiz federal Jeferson Schneider.

As investigações apontam para um esquema com empresas contratadas pela Empresa Cuiabana de Saúde Pública para prestarem serviços hospitalares. Os contratos ocorreram durante os anos de 2020 e 2021, ou seja, no período da pandemia do coronavírus. O ex-secretário está sendo investigado por ter supostamente participado da organização criminosa, tanto na época em que foi diretor-geral da Empresa Cuiabana, quando durante o tempo de titular da SMS.

De acordo com as investigações da PF, houve direcionamento de contratos emergenciais destinados ao combate à covid-19. No total, o grupo recebeu cerca de R$ 100 milhões por serviços contratados e executados. E parte do valor pago pela Prefeitura de Cuiabá teria sido utilizada para o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém transformadas para o ramo da saúde.

O juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal de Cuiabá, determinou o sequestro de mais de R$ 44,3 milhões dos alvos da Operação Cupincha. O ainda não conseguiu contato com a defesa das partes investigadas. O espaço segue aberto para o contraditório.

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