Gilberto Leite/Rdnews
Wellington Fagundes (PR) avalia ainda os salários dos dirigentes são elevados.
O senador Wellington Fagundes, líder do PR no Senado e integrante da CPI do Futebol, quer que os contratos firmados pelas federações de futebol, por condução da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sejam alvo de apuração. Segundo o republicano, esse tipo de atuação compromete o processo de disputa dentro da entidade, transformando-a numa espécie de “feudo”.
As afirmações foram feitas durante reunião da CPI que ouviu o presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero. Na oportunidade, o senador disse que há denúncias de que Del Nero teria influenciado os votos das demais federações e dos clubes para a sua eleição, a partir de um contrato de patrocínio da Chevrolet com as entidades estaduais.
O senador republicano avalia ainda os salários dos dirigentes são elevados. Nesta linha, reclama também do que classifica como perpetuação no poder por parte dos dirigentes de federações. Ele lembrou inclusive já ter apresentado projeto de lei, ainda como deputado federal, para eliminar as reeleições.
O dirigente, por sua vez, disse ter atuado no sentido de ajudar as federações e admitiu que houve intermediação normal do negócio, com ganhos e comissões. O contrato da empresa da indústria automobilística foi intermediado por Sérgio Gomes, um dos executivos que dirigem a companhia. Como presidente da Federação eu tenho a obrigação de querer ajudar as outras federações”, disse.
Nero é investigado pela CPI, que trata de negócios e contratos das duas últimas gestões da CBF. Ele já teve seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela comissão. Durante o depoimento, afirmou que as investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) vão provar que ele não está envolvido em esquemas de corrupção.
Wellington disse que a CPI tem o objetivo de investigar, “mas também de contribuir para a melhoria do futebol brasileiro”. Ele questionou Del Nero sobre os planos da direção da CBF.
Segundo o senador, existe uma grande necessidade sobre o legado da entidade para o pós-Copa do Mundo 2014 e também de um melhor apoio para o desenvolvimento do futebol no Brasil. Para ilustrar, citou o caso de Mato Grosso: “nosso futebol praticamente está acabado - disse. Eu também tenho aqui uma preocupação, principalmente com o futebol do interior. A gente quer ver o esporte funcionando lá, como há 20, 30 anos. Tínhamos clubes com mais força. Mas, a cada ano que passa, vemos uma concentração maior no eixo Sul-Sudeste”.
Para o presidente da comissão, senador Romário (PSB-RJ), é estranho que Del Nero tenha desqualificado indícios colhidos pelo FBI e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras ao ser acusado por elas de ter movimentado dinheiro ilegalmente. Ele afirmou que o presidente licenciado da Confederação Brasileira de Futebol mentiu à CPI. (Com Assessoria)
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