O senador Wellington Fagundes (PR) apresentou requerimento na CPI do Futebol para que a CBF envie as movimentações financeiras feitas pela entidade nos últimos 10 anos. Já a CBF ingressou com um mandato no STF para tentar barrar essa medida. “Não tenho dúvidas de que o Supremo vai determinar o encaminhamento dessas demonstrações financeiras por ser importante nas investigações”, acredita o republicano.
A medida do senador visa expor todos os repasses feitos pela CBF para as 26 federações estaduais mais o Distrito Federal, e também aos dirigentes esportivos de cada uma das filiadas. Segundo Wellington, pode haver, nessa movimentação, a existência de um esquema que garantiu a ‘perpetuação’ dos próprios dirigentes esportivos nas entidades estaduais e nacional que cuidam dos esportes.
Na Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF), por exemplo, Carlos Orione ficou à frente da entidade estadual por cerca de 40 anos. Está afastado, desde julho do ano passado, por problemas de saúde. Em seu lugar assumiu o ex-presidente do Luverdense, Helmute Lawisch.
Wellington Fagundes disse estranhar o comportamento da CBF, que justifica sua ação no fato de se tratar de uma entidade privada. Segundo ele, o futebol brasileiro “é um patrimônio do povo” e não pode ser tratado como um assunto apenas de uma organização. “A CBF precisa prestar contas ao povo brasileiro sobre suas ações”, disse.
Além de querer barrar o requerimento do senador, a CBF também busca impedir que os contratos com parceiros comerciais, para direitos de transmissão e acordos com empresas que cuidam ou cuidaram dos jogos da Seleção brasileira, também sejam revelados para a CPI.
A CBF também entrou no STF contra pedido de quebra de sigilos bancário e telefônico do presidente Marco Polo Del Nero. Entretanto, a liminar foi negada pela Suprema Corte.
STF
O pedido da CBF contra o requerimento de Wellington Fagundes está com o ministro Marco Aurélio Mello, que deve dar uma decisão nos próximos dias. O senador, no entanto, está convencido de que, independentemente da decisão do ministro, a própria reação da CBF em ir ao Supremo para evitar informar sua movimentação financeira no período já representa um grau de suspeita. “Se não tem nada errado, o que tem a esconder?", questiona. "A menos que haja muita coisa errada, aí explica a medida”.
CPI do Futebol
A intenção da CPI, presidida pelo senador Romário (PSB-RJ), é investigar como os repasses podem influenciar politicamente dentro da entidade. A CBF supostamente "ajuda" anualmente cada federação filiada, com valores que variam de R$ 700 mil a quase R$ 2 milhões. Os presidentes das federações também recebem uma espécie de salário da confederação, de R$ 15 mil. A relatoria está sob o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
Além de Romário e Romero, a CPI do Futebol é composta pelos parlamentares Humberto Costa (PT-PE), Zezé Perrella (PDT-MG), Ciro Nogueira (PP-PI), Donizeti Nogueira (PT-TO), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Omar Aziz (PSD-AM), Álvaro Dias (PSDB-PR), Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Fernando Collor (PTB-AL). (Com Assessoria)
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