Emanuel inicia em lua de mel com população e Câmara, mas tem imagem desgastada com vídeo
Oito meses foram suficientes para colocar por terra o discurso do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), que dizia viver em “lua de mel” com a Câmara e com a população nos primeiros meses de gestão. Em agosto, o peemedebista tem imagens divulgadas recebendo maços de dinheiro e colocando no paletó quando ainda atuava como deputado estadual na Assembleia.
Em 1º de janeiro, Emanuel foi empossado após vitória contra o tucano Wilson Santos (PSDB), ao conseguir preferência de 157.877 eleitores. No discurso, pediu o fim do fisiologismo, citou remédio amargo, união e paciência, deixando claro que os interesses da Capital estariam sempre em primeiro lugar.
O prefeito anunciou ainda várias auditorias na área da saúde e educação, para levantar a real situação do município. Ganhou pontos com a população quando vetou o projeto que aumentava os salários dos vereadores, prefeito e do vice, em razão da contenção de despesas.
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Em 1º de janeiro deste ano Emanuel Pinheiro é empossado prefeito de Cuiabá
Os primeiros desgastes enfrentados por Emanuel foram em razão do secretariado, a maioria com perfil político. Um dos mais criticados foi o então titular da pasta de Cultura, Esporte e Turismo, Renato Anselmo. A classe artística da Capital o rejeitou em razão de não ter intimidade com o setor.
A primeira troca, no entanto, foi na Educação quando Mabel Strobel deixou a pasta, em março, e no lugar foi colocado Rafael Cotrim, que atuava como secretário de Gestão. Para a vaga, foi colocada Ozenira Felix, coordenadora da equipe de transição de Emanuel.
Além destas alterações, houve trocas nas de Assistência Social, onde Singlair Mussis deu lugar a Wiltinho Coelho (PR); na Cultura, Renato deu a cadeira para Francisco Vuolo; e na Secom Karoline Garcia assumiu a vaga deixada por José Roberto Amador, o Bebeto.
A última troca ocorreu em outubro, quando o defensor público Djalma Sabo Mendes pediu exoneração da pasta de Habitação e Regularização Fundiária. Agora, a secretaria está sob João Carlos Hauer, ex-presidente do DAE de Várzea Grande.
No âmbito de ações, o prefeito destacou nunca ter atrasado os salários dos servidores, além de conceder a Revisão Geral Anual (RGA) ao funcionalismo público. Emanuel também iniciou o programa Hora Estendida, quando algumas creches funcionam até às 19h30, para facilitar a vida dos pais trabalhadores. Outro programa recriado pelo prefeito foi o Bom de Bola, Bom de Escola. Estes dois últimos foram promessas de campanha do prefeito.
A relação de Emanuel com a Câmara e a população começou a ficar abalada após gravações dele recebendo dinheiro. Conforme delação do ex-governador Silval Barbosa, o recurso era oriundo de propina para que conseguisse votações de interesse do Executivo.
O prefeito preferiu ficar recluso por algum tempo. Após primeira aparição, negou o recebimento de propina e disse que iria se explicar na hora certa. Na ocasião, intensificou as ações e pediu aos secretários que trabalhassem.
Marcos Vergueiro
Ao lado do governador Taques, Emanuel faz visita às obras do novo pronto-socorro
Em novembro, outra pancada. O prefeito é alvo de busca e apreensão na residência e no gabinete na prefeitura, devido a deflagração da Operação Malebolge (12º fase da Operação Ararath), onde um áudio entre o ex-secretário estadual Alan Zanatta e o delator Silvio Correa conversa sobre o suposto envolvimento de Emanuel. Também não houve qualquer tipo de satisfação.
Relação Câmara
Emanuel tinha tudo para ter uma relação tranquila dentro da Câmara, uma vez que o candidato de preferência foi eleito o presidente da Câmara, Justino Malheiros, e parlamentares que foram eleitos pela oposição trabalhavam pela governabilidade.
Entretanto, os primeiros sinais de que a relação enfrentava desgaste foi quando Emanuel resolveu ampliar a administração pública com o desmembramento das secretarias de Comunicação e Governo e a criação a pasta dos 300 anos (SEC 300), com desenvolvimento de ações para comemorar os 300 anos da Capital, em 2019.
Vereadores como Marcelo Bussiki, Gilberto Figueiredo (ambos do PSB), Abílio Jr (PSC) e Felipe Wellaton (PV) eram os mais críticos acerca do inchaço da máquina pública. Todos acreditavam que era preciso cuidar da saúde e educação antes de criar pastas e cargos. Entretanto, o prefeito ainda possui apoio de 16 dos 25 vereadores.
As imagens de Emanuel pegando o dinheiro foram a principal causa para que o prefeito enfrentasse desgaste dentro do Legislativo. Diante disso, a CPI do Paletó foi instalada e demais projetos que foram encaminhados pelo Executivo, enfrentados pela oposição, composta por nove vereadores.
O prefeito será convidado para ser interrogado pelos membros, no entanto, não terá obrigação de comparecer. As oitivas com Silval, Silvio e Alan Zanatta, assim como a conclusão dos trabalhos, podendo indiciar Emanuel ou não, estão previstas para o ano que vem.
Governo
Por serem adversários políticos, Emanuel sempre manteve boa relação com o governador Pedro Taques (PSDB). Pequenas divergências vieram à tona ao longo deste ano, no entanto, nenhuma que pudesse abalar a relação de ambos.
A principal delas foi quando Emanuel cobrou do governo R$ 82 milhões advindos de emendas parlamentares para equipar o novo pronto-socorro da Capital.
O governo queria o recurso na íntegra para quitar débitos com a saúde. Após impasses, o prefeito cedeu o recurso e deverá lançar uma licitação para contratação da empresa que irá mobiliar o novo PS. O recurso deve vir do mutirão fiscal feito pelo governo estadual. Em 2018, em ano eleitoral, provavelmente ambos estarão em lados opostos.