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Retrospectiva-2016 Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016, 17:00 - A | A

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016, 17h:00 - A | A

Investimento em artistas, festivais, disputa e descentralização de cultura marcam ano

Rodivaldo Ribeiro

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O ano da cultura foi intenso em Cuiabá, mas as marcas principais dão conta de duas percepções distintas quanto ao momento atual do país, com melhor utilização dos museus e dedicação especial à literatura. Para uns, houve retrocesso; para outros, avanços evidentes. Para muitos, nada além de mais do mesmo, afinal, sempre haverá descontentes.

Também não faltaram celebrações para a massa, com diversas edições do Vem pra Arena, que trouxe músicos renomados de várias partes do país. Se de um lado houve o lançamento de diversas obras, de outro fixou-se na memória comum a disputa em torno do edital do prêmio estadual de literatura, previsto para ter resultados divulgados no último trimestre e adiado, em razão de disputas judiciais, para janeiro de 2017.

A secretaria estadual de Cultura (SEC) destaca o trabalho com a manutenção dos investimentos à parte a crise econômica. A assessoria lembra a revitalização do Palácio da Instrução, o retorno do Salão Jovem Arte Mato-Grossense, a reforma e entrega da Biblioteca Estevão de Mendonça, depois de 10 anos, bem como a reabertura dos trabalhos no Cine Teatro Cuiabá. Numa espécie de preenchimento da lacuna deixada pela não realização do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, foram feitas a mostra Vitrine Cinema Brasileiro e Liberdade: Mostra de Cinema Negro.

Outro destaque é a retomada das ações culturais dentro do Palácio da Instrução. Voltou a emprestar livros após uma década, assim como as visitas aos museus lá abrigados, como os de História, História Natural e Antropologia, a Pinacoteca e o Atelier Livre de Arte do Estado. Para melhor utilização acabaram transferidos para outros prédios.

Naiara Leonor

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   Maestro Leandro Carvalho, à frente da secretaria de Cultura, destaca ações realizadas neste ano

Segundo a SEC, foram cinco mil visitantes durante o ano. A pasta ressalta a informatização do lugar, além das reformas, que propiciaram maior espaço para leitura, auditório, telecentro e sala de digitalização, bem como a chegada dos benefícios do projeto Recode, de Bill Gates e sua esposa, Melinda, que doaram ao lugar 10 microcomputadores de última geração. Boa maneira de manter a correta catalogação dos mais de 100 mil volumes impressos com abrangência nas diversas áreas do conhecimento, com acessibilidade garantida pelas obras em Braille, linguagem possível de ser aprendida lá mesmo, por meio de cursos, como também acontece com a de sinais e expressões para surdos-mudos, em libras.

As artes plásticas foram contempladas com a retomada do Salão Jovem Arte Mato-Grossense, cuja 25ª edição foi realizada em 2016. Iniciado em fins dos anos 70, há pelo menos duas décadas sofre com as inconstâncias dos homens de poder, sendo realizado ao sabor de quem está na gestão da SEC. O maestro e atual secretário Leandro Carvalho optou por fazê-la. Só para se ter uma ideia, caso fosse realizado todos as anos, desde a primeira edição, esta seria a 39ª.

Desta edição participaram 180 artistas de 12 municípios. Eles apresentaram ao crivo do conselho escolhido pela SEC nada menos que 500 obras. Cerca de 40 artistas foram selecionados e 83 obras divididas nas categorias pintura, gravura, desenho, fotografia, vídeo-arte, arte digital, escultura e instalação, foram apresentadas.

Bastante celebradas também foram as ações nos demais museu da cidade, como o de Arte Sacra, o de Arte de Mato Grosso e o Museu Histórico. E a coisa deve melhorar em 2017, pois a SEC assinou recentemente um convênio com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) no valor de R$ 250 mil para a implantação do Sistema Estadual de Museus de Mato Grosso.

Segundo levantamento da Coordenação de Patrimônio Cultural da SEC, o Estado possui 60 instituições distribuídas em 33 municípios e um distrito. Deste total, 48 são públicas e 12 privadas. Na natureza jurídica, são 35 municipais, 10 estaduais e três federais.

Além das ações institucionais, a cultura da Capital também ficou marcada pelos inúmeros shows nacionais. Tocaram por aqui nomes como Lenine, Vanessa da Mata, Ivan Lins, Alcione e Biquini Cavadão, entre outros. Mas muita gente vai lembrar sempre mesmo é do constrangedor cancelamento do show da cantora Maria Rita, impedido por uma confusão armada por um sargento da Polícia Militar e seguranças do evento. Não bastasse a frustração da expectativa em si, houve ainda o não reembolso dos compradores do ingresso, já que a produtora responsável pelo show resolveu sumir.

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