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Cynthia Lemos Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 05:00 - A | A

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Cynthia Lemos

O custo invisível da ansiedade nas lideranças

Cynthia Lemos

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Cynthia Lemos nova articulista Rdnews arte interna

Como temos essa ansiedade de querer controlar e dominar o tempo…

É aquele momento agradável que não queremos que passe.

É aquele resultado que queremos acelerar.

É a meta que não chega.

É o “meu Deus, até quando?”

E isso nos gera ansiedade. Inquietude. Pressa.

Tenho observado muito os movimentos ao meu redor — e vocês sabem, eu sempre digo: a vida conversa com a gente o tempo todo.

Estamos o tempo inteiro antecipando o futuro ou remoendo o passado — e tão pouco experimentando, de fato, o agora

E, particularmente nesta semana, o tempo tem sido um tema recorrente.

Um empresário dizendo que não esquece os erros do passado — que, se não fossem determinadas decisões, hoje poderiam estar muito melhor.

Uma liderança ansiosa no presente: “Está tudo travado. O que vamos fazer para liberar isso?”

Outro relato: “Está tudo bem… mas eu já estou ansioso. Parece que algo vai descarrilhar.”

Percebe?

É o passado que não foi digerido.

É o futuro que ainda nem chegou.

E o presente… ficando espremido entre os dois.

Como seria se, por um instante, a gente simplesmente parasse e dissesse:

“Pera aí. Deixa eu tocar o presente. O que é possível hoje? O que eu posso fazer bem feito hoje?”

É desafiador. Muito.

Estamos o tempo inteiro antecipando o futuro ou remoendo o passado — e tão pouco experimentando, de fato, o agora.

E aí me vem à memória algo simples, mas profundamente simbólico.

Recebemos uma gata de herança.

Uma tia distante faleceu — não se casou, não teve filhos. Os gatos eram seus filhos.

A mais brava veio para nossa casa.

No primeiro dia, até que ela se entregou bem.

Mas ela precisava do tempo dela.

E nós ali, ansiosos, querendo acelerar o processo. Forçar vínculo. Antecipar confiança.

Só que havia algo ali que precisava de tempo para ver, compreender, maturar… e só depois concluir.

E talvez seja isso que nos falte incluir com mais consciência: o fator tempo.

Não como desculpa.

Mas como variável real.

Tive um gestor que dizia que o tempo natural das coisas deveria ser incluído como indicador nas empresas.
Porque muitas vezes não consideramos o tempo como ele é — e cobramos resultados ignorando ciclos.

Será que não é justamente essa ansiedade que nos impede de celebrar o que já foi construído?
Será que não é essa aceleração constante que nos impede de experimentar o presente?

O que é correto?

É um grande questionamento.

Mas se existe algo que podemos refletir hoje é isto:

O tempo não é inimigo.

Ele é processo.

Ele é maturação.

Ele é variável estratégica.

Ele é também cuidado emocional.

Talvez aprender a incluir o tempo com mais consciência seja, paradoxalmente, o que acelera os resultados certos.

Ou, no mínimo, nos devolve paz enquanto eles chegam.

Cynthia Lemos é psicóloga e empreendedora; fundadora da Grandy Psicologia Empresarial e escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras

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