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Por mais que a ciência avance, há perguntas que continuam a nos assombrar desde os tempos mais antigos: o universo tem fim? Há uma borda onde tudo termina, ou ele simplesmente continua, infinito, como uma estrada que se dobra sobre si mesma?
Recentemente, me peguei revisitando uma reflexão do físico alemão Albert Einstein sobre esse tema. Na sua “trilha da realidade”, como gosto de chamar as ideias que ele deixou sobre a natureza do cosmos, há uma concepção que me fascina profundamente: o universo seria finito, mas sem fronteiras.
O que me move não é a pretensão de ensinar, mas o desejo de aprender, de continuar me maravilhando com o mistério
Essa frase, à primeira vista, parece contraditória. Como algo pode ter fim e, ao mesmo tempo, não ter limites? Mas é justamente aí que mora a beleza do pensamento de Einstein. Ele imaginava o universo como um corpo fechado, uma espécie de esfera em quatro dimensões, três espaciais e uma temporal. Se fosse possível lançar uma nave (ou, como brinco, um dardo) no espaço sem que ela fosse freada pela gravidade, ela viajaria indefinidamente e, após trilhões de anos, retornaria ao ponto de partida.
Não haveria uma “muralha” no espaço, nem uma placa escrita “fim do universo”. Ele seria curvado sobre si mesmo, como a superfície de um globo: finita, sim, mas sem bordas.
Para tentar imaginar essa imensidão, basta olharmos para o nosso próprio quintal cósmico: o sistema solar. Se quiséssemos atravessá-lo de ponta a ponta a bordo de uma nave que viajasse à velocidade do som, levaríamos cerca de dois milhões e meio de anos apenas para percorrer essa distância modesta, comparada à escala do universo. Agora, multiplique isso pelos mais de duzentos sextilhões de sistemas solares que os astrônomos estimam existir. O número beira o inconcebível.
E, no entanto, aqui estamos nós, minúsculos, curiosos e teimosos, tentando compreender tudo isso.
Confesso que não sou físico, longe disso. As ideias que compartilho aqui são apenas uma tentativa de traduzir o espanto diante do cosmos. Talvez eu esteja errado em muitos pontos, e seria até bom que alguém mais entendido me corrigisse. O que me move não é a pretensão de ensinar, mas o desejo de aprender, de continuar me maravilhando com o mistério.
Pensar no universo, afinal, é pensar em nós mesmos. Somos feitos da mesma matéria das estrelas, e o tempo que nos molda é o mesmo que desenha as galáxias. Quando olhamos para o céu e nos perguntamos onde tudo termina, talvez devêssemos perceber que a verdadeira fronteira está na nossa própria compreensão.
Einstein dizia que “a coisa mais bonita que podemos experimentar é o mistério”. Talvez o universo não precise de um fim, talvez ele exista justamente para que continuemos a procurar.
Escrito com Sara Nadur Ribeiro
Maurício Munhoz Ferraz é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia






