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Mauricio Munhoz Sábado, 11 de Julho de 2026, 05:00 - A | A

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Mauricio Munhoz

O novo petróleo

Mauricio Munhoz

Arte Rdnews

Maurício Munhoz colunista sábado vale esta agosto de 2026

 

No Vale do Jequitinhonha, a terra é velha. As rochas de pegmatito que guardam o lítio se formaram há mais de 500 milhões de anos, muito antes de qualquer fronteira, bandeira ou bateria. Em 2023, porém, o vale foi apresentado ao mundo não em Araçuaí ou Divisa Alegre, mas no salão da Nasdaq, em Nova York. O sino tocou. E um dos pedaços mais pobres do Brasil virou promessa verde na tela de Wall Street.

Guarde essa imagem. Ela diz quase tudo.

O lítio é o "novo petróleo": o metal leve que move o carro elétrico e armazena a energia do sol e do vento. A corrida é global. Austrália, Chile e China concentram a maior parte da produção e, sobretudo, do refino; a China sozinha processa cerca de três quartos do lítio do planeta. Quem controla a mina tem riqueza. Quem controla a química tem poder.

E o Brasil? Temos a sétima maior reserva do mundo, quase toda em Minas Gerais. Temos rocha, temos sol, temos engenharia. Falta a pergunta mais difícil: para quê?

Porque exportar pedra bruta nós já sabemos fazer. Bem demais, aliás.

O drama do lítio brasileiro não é geológico. É de projeto.

Em 2025, quase toda a nossa produção seguiu para a China. Não como bateria, nem como carbonato de grau industrial, mas como concentrado. A tonelada de concentrado vale algumas centenas de dólares; transformada em material de bateria, pode valer mais de dez vezes isso. Exportamos o começo da cadeia e importamos o fim, com juros. Vendemos o minério e compramos o celular.

Ninguém em Mato Grosso precisa que lhe expliquem esse enredo. Nosso Estado é campeão mundial em produzir grão e assistir ao valor ser somado longe daqui; na trading, no porto, na prateleira do outro lado do oceano. Cuiabá nasceu de uma corrida do ouro, no início do século XVIII, que encheu cofres distantes e deixou o sertão à própria sorte quando o veio secou. O Brasil profundo é feito de ciclos que enriquecem terceiros.

Será que o lítio será mais um?

Há sinais de que talvez não. O país discute um Plano Nacional de Mineração e uma política de minerais críticos que, no papel, abandonam a lógica de vender rocha e prometem verticalizar. É um avanço. Mas plano não é indústria, e a janela é estreita: o preço do lítio despencou 80%, voltou a subir, os projetos hesitam, e o capital, como sempre, não espera.

Soberania sobre recursos não se decreta. Constrói-se: com refino, ciência, gente formada e a coragem de escolher.

O lítio dorme nas rochas antigas do Jequitinhonha há meio bilhão de anos. Ele pode esperar mais um pouco. A pergunta é se nós podemos.

Escrito com Sara Nadur Ribeiro

Maurício Munhoz Ferraz é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia

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Adriano Valente 11/07/2026

Não há indicativo de que haja lítio em MT. Melhor teria sido divulgar a Coluna em MG ou SP

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1 comentários

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