Rodinei Crescêncio
Meninas querem seguir carreira profissional e aguardam olheiro para selecioná-las, na escolinha do Zico, franquia em Cuiabá. As possibilidades são muitas
Sempre com a molecada correndo na rua, é ligeira, monta o time e a panela é sua. Não quer brinca de boneca nem pintar na escola. Só quer saber de driblar, correr atrás de bola. Qual é, qual é? Futebol não é pra mulher? Eu vou mostrar pra você, mané. Joga a bola no meu pé.
Galeria: Meninas derrubam tabus e são talento no futebol
Esse é um dos trechos de uma das trilhas sonoras mais reproduzidas na última da Copa do Mundo, que também foi cantada por craques da seleção brasileira do futebol feminino, que ocorreu em junho na França. Com os dias, ganhou a voz de milhares de brasileiras de todas as idades, mas que nem sempre receberam apoio. A canção também viralizou por retratar a trajetória de muitas meninas e jovens que sonham em serem jogadoras profissionais, mas poucas conseguem.
“Penso também, em breve, iniciar um campeonato feminino para elas competirem”
Diego MenezesO depoimento emocionado da jogadora Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo, após a eliminação do Brasil para a França nas oitavas de final, deixou essa realidade da desigualdade entre atletas homens e mulheres, ainda mais evidente.
No entanto, segundo o proprietário da Escola de Futebol Zico em Cuiabá, Diego Menezes, meninas se motivaram com o evento e seguem ainda mais firmes, com o sonho de trilhar uma carreira profissional.
Na terceira aula da primeira turma totalmente feminina, os treinos vão deixando sair pelos poros, junto à timidez, a adrenalina e muita paixão pelo esporte. “A procura sempre existiu, mas antes tínhamos que formar turmas mistas. Agora, com a procura crescente, decidimos montar turmas só para meninas. No início, tem meninas mais novas com mais velhas, mas breve separaremos também por faixa etária”, revela Menezes.
Rodinei Crescêncio
Professor Sérgio Rafael diz que alunas são mais disciplinadas, não faltam aulas e estão se esforçando nos treinos
Com olheiros de clubes nacionais, como o do Santos, dois alunos iniciados na escolinha já saíram da cidade para seguir carreira em campos com mais destaque. Diego comenta que seu intuito é, além de proporcionar ensinamentos do esporte, saúde, abrir um canal de profissionalização para os atletas. “Penso também, em breve, iniciar um campeonato feminino para elas competirem”, acrescenta o dono da escola.
No campo, enquanto o treino matinal toma suas formas, o treinador Sérgio Rafael conta um pouco da sua história e motiva as meninas a não perderem o ritmo. Sérgio foi jogador profissional por 15 anos. Ele começou com 12 anos de idade, passou por inúmeros clubes fora do país e foi, por exemplo, para Rússia, Irã e Pelotas do Rio Grande do Sul. “Procura sempre teve, o que não tinha era o espaço.
A falta de incentivo para jogadoras não é um problema só do Brasil, mas uma questão que ultrapassa as fronteiras. O futebol feminino está crescendo muito, as mulheres entenderam que futebol não é só pra homem e venceram esse paradigma. Entendo que elas se encontraram”, comenta o treinador.
Uma das alunas é Mariana Carvalho. Ela tem 11 anos e, quando era mais jovem, conta que sua mãe a inseriu no balé. No entanto, com o passar do tempo e acompanhando as partidas de futebol com o pai, percebeu que o futebol a atraia mais.
“Eu quero ser jogadora profissional quando crescer e convido minhas amigas para jogarem comigo”
Mariana CarvalhoFoi assim que dialogou com seus pais, descobriu a nova turma que seria aberta, comprou as chuteiras, uniforme e meião para fazer parte do time. Pela manhã, poucas alunas estão presentes, mas o número é maior pela tarde.
O uniforme feminino ainda não chegou, mas as meninas vão com as roupas que possuem sem deixar nenhuma desculpa para ir para aula. O treinador Sérgio também comenta, enquanto monta alguns cones, que as alunas têm sido mais assíduas aos treinos, não faltam tanto quanto os homens. “Eu quero ser jogadora profissional quando crescer e convido minhas amigas para jogarem comigo. Na escola que estudo sempre tem partidas também. Quando cheguei pela primeira vez nesse treino, fiquei um pouco tímida, mas logo vi que era esse o esporte que eu queria pra mim”, conta Mariana.
Para a mãe de Mariana, Carolina Carvalho, que aguarda em um dos bancos o treino da filha, o esporte é um sonho antigo e comenta que ela quem articulou tudo para fazer as aulas. “Estou apoiando ela porque acredito que a deixa muito feliz, sei que pode passar dificuldades. Ela chegou tímida, mas está se soltando bem. É o que ela sempre quis”, finaliza.







BMaria 19/07/2019
Gostei muito da reportagem. Parabéns para as meninas, o Professor e a Casa do Futebol do Jardim Califórnia.
O pensador 19/07/2019
Cara, é impressionante como a mídia de MT da tanta moral para os clubes de fora do estado, não estou contra as meninas que estão em busca de seus sonhos, mas vcs foram cobrir a semifinal da copa de futsal? Está acontecendo o campeonato estadual feminino, vcs foram buscar as informações? Qual fase está? Quem está bem na tabela? Depois essa mesma mídia vem desdenhar do futebol MT. Parabéns meninas que estão em busca dos sonhos, n desistam. Mas procuram conhecer um pouco sobre o futebol MT feminino e verá que já saiu várias dos clubes daqui pra brilhar no Brasil e no mundo.
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