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Esporte e Lazer Sexta-feira, 29 de Abril de 2016, 08:01 - A | A

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Superação

Esporte ajuda atleta a enfrentar o câncer e recomeçar vida em MT

Redação

Junior Martins

Henrique Fernando Paim de Almeida

Henrique Fernando Paim de Almeida encontro no esporte forças para enfrentar o tratamento

Um dos jogadores do Cuiabá Arsenal, Henrique Fernando Paim de Almeida, o Câncer, descobriu ter leucemia linfoide aos 23 anos.

No primeiro momento se retraiu, se escondeu, se calou e aceitou a morte. Mas, antes do intervalo de jogo, mudou de postura, buscou tratamento e, agora, luta pela vida.

Ele ressalta que tem tudo que o esporte não precisa que um atleta tenha: deficiência em conseguir massa muscular, uma fadiga mais rápida e cicatrização demorada. "Se me cortar posso ter hemorragia. Mas tomei isso como desafio. Preciso me dedicar mais do que uma pessoa em condições normais para ter os mesmos resultados", revela.

Nessa linha, diz que se dedica a uma preparação física mais forte, além de contar com a ajuda e amizade dos jogadores. 

Hoje, aos 27 anos, no 2º tempo da luta, após 4 anos de quimioterapia e ainda com outros três pela frente, já passou pelo ápice da doença e promete vencê-la. Neste ano, o tumor teve uma remissão, que é quando a doença não demonstra mais sinais de atividade, mas isso ainda não é uma cura. Ele segue com o tratamento até 2018.

Primeiras vitórias

Henrique é formado em Publicidade e Propaganda. Nasceu e foi criado em Guarapuava (220km de Curitiba) e, depois, mudou-se para Campo Grande (MS) em 2011, por conta de um romance com aquela que futuramente seria esposa. Lá namoraram, brigaram, se separaram, a leucemia foi descoberta e reataram. “Quando estava sozinho descobri o câncer. Fiquei recluso no início, mas depois contei para minha mãe, que veio visitar e deu de cúpido. Contou para Janaína, que se aproximou para ajudar e reatamos”, lembra. 

O tratamento quimioterápico teve início logo após a descoberta, em 2012. Ele foi submetido a quimioterapia, um tipo de tratamento médico que introduz compostos químicos na circulação sanguínea, chamados quimioterápicos, para combater o câncer.

Esses medicamentos se misturam com o sangue e são levados para todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo que se espalhem pelo organismo. O atleta conta que o cabelo caiu, perdeu 30 quilos e sentia dores por todo corpo. "Para todo lugar que ia passava mal. Era comer num restaurante ou lanchonete para vomitar na frente de todos. Fiquei depressivo. E, por causa da quimio, fui diagnosticado como estéril. Não podia mais realizar o sonho de ter filhos. Não sei como minha namorada permaneceu comigo. Até hoje ainda sinto muitas dores físicas”, comenta o publicitário. 

Mesmo com as sessões semanais de quimioterapia, que deixam o paciente debilitado, Henrique começou uma jornada pelo esporte. Chegou a saltar de paraquedas, mas o escolhido foi o futebol americano. Entrou para o Campo Grande Predadores, equipe de futebol americano de Mato Grosso do Sul, e chegava a ir aos treinos com máscara de proteção pós-quimioterapia e curativos de soro. Foi quando os companheiros lhe apelidaram de Câncer. 

"Com o tempo acostumei
e passei até a ir treinar mal
mesmo", conta o atleta

Ele relata que, quando faz quimio, passa mal por três dias, sendo que o seu médico chegou a receitar morfina. "Uma sensação horrível. Parece que os ossos do corpo pegam fogo. Você vomita, fica fraco, tem náuseas, insônia, dor e tontura. E nem sempre pode pegar folga do trabalho".

Apesar das adversidades, ele relata que, com o tempo, se acostumou com a situação e mantém os treinos. Em 2015, ano repleto de boas notícias, a doença teve o primeiro recuo, que permitiu diminuir a quantidade de sessões de quimioterapia.

Nova vida

Junior Martins

Henrique Fernando Paim de Almeida

Henrique Fernando é atleta do Cuiabá Arsenal e treina mesmo nos dias que não se sente bem

Fazendo uso de menos medicamentos, Henrique, sem saber, voltou a ser fértil. Descobriram a novidade quando Janaína percebeu estar grávida. Uma felicidade seguida por um pedido de casamento. Depois mudaram, por oportunidades no mercado de trabalho, para Cuiabá. 

“Foi um susto quando fiquei sabendo que seria pai. Eu tinha ficado estéril. Como assim vou ter um filho? Pensei. A gente nem mais se cuidava por causa disso. Então descobrimos que eu havia voltado a produzir espermatozoide, por mais incrível que pareça. E casamos com ela grávida ainda naquele ano, 2015. Hoje Yanni está com dois meses de idade. E ela será uma torcedora do Cuiabá Arsenal”, conta o atleta, com sorriso no rosto. 

Henrique se tornou membro da Associação Atlética Cuiabá Arsenal em 2015, logo após ter chego de mudança de Campo Grande (MS). Foi treinado pelos técnicos do clube e, neste ano, disputou a primeira partida como parte do plantel de atletas. Foi um dos responsáveis pela vitória de 76 a zero contra o Tangará Taurus, na 1ª rodada do Campeonato Mato-grossense de Futebol Americano.

Segundo ele, mais um sonho realizado com sucesso. "Lá em Campo Grande e no Brasil todo, o Arsenal é visto como um exemplo que deve ser seguido. Tanto por conta das realizações dentro do campo, quanto por causa das ações fora dele. É um clube admirado, em que eu nem pensava um dia fazer parte. E hoje estou aqui”, reflete. 

Competições

O Cuiabá Arsenal disputará duas competições na temporada deste ano. O 2º Campeonato Mato-grossense de Futebol Americano, iniciado em abril e com finais previstas para junho, com mais quatro times do interior. E o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, de julho a dezembro, com jogo de abertura na Arena Pantanal, contra Corinthians Steamrollers, no dia 9 de julho. E Henrique estará na busca pelo bicampeonato estadual e tricampeonato brasileiro. (Com Assessoria)

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