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Sábado, 06 de Maio de 2017, 07h:35 | Atualizado: 10/05/2017, 08h:59

Músico e ator, Caio Mattoso lança novo EP em show na Arena Pantanal

O músico e ator Caio Mattoso vai lançar seu novo disco, Opereta Trum, no próximo sábado (13) na Arena Pantanal. Trata-se de um EP com cinco canções, mas o espetáculo de lançamento contará com 10 composições próprias (ouça uma delas aqui).

Todas as músicas trazem os temas habituais de Caio, arte, amor, denúncia social e mais o que vier à cabeça dele. Tudo filtrado por uma sonoridade estranha e textos matreiros, cheios de jogos de palavras. Sempre explorando a sonoridade delas.

Acervo Pessoal

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Caio Mattoso junto com suas filhas Bruna e Teresa em momento descontraído em casa

Perguntado sobre quando começou a tocar de maneira mais, digamos, profissional (recebendo para isso), acaba revelando que esse pagamento é nada mais que sazonal.

“Não sei realmente se arte é para ganhar dinheiro. Creio que arte em primeiro lugar é para libertar, aprimorar e desenvolver a pessoa. Serve para refletir e até para passar o tempo. Até mesmo para se divertir. Para contemplar”, raciocina.

Contudo, sabe que o preço das coisas (amores, família, vida social) não se baseia em dinheiro, mas a partir dele se espalha pelas menores parcelas da existência, inclusive as íntimas, próprias de cada um. Quanto mais um artista se especializa em sua criação, mais desejo tem de desenvolver novos trabalhos na linguagem em que atua.

“Às vezes eu ganho dinheiro, mas nesse mundo da arte existe mais que o artista, existe o gosto, a mídia e o mercado, as políticas públicas de acesso e distribuição. Existe a relação muito próxima com outras pessoas. É bem complicado lidar com tudo isso, gostaria de só compor e tocar, mas sei que não é bem assim”, expõe Caio.

Logo, há também a responsabilidade de contribuir em casa, cuidar da própria saúde, da dos filhos. “É por essas e outras que pensamos no dinheiro. Estou tentando me organizar mais, com apoio de pessoas que amo, de pessoas próximas a mim e pessoas que gostam do que eu faço, estou conseguindo planejar com mais precisão e apoio de um tempo pra cá”.

Contrariamente a outros músicos, normalmente ligados à expressão desde pelo menos a adolescência (quando não a infância) pela necessidade de aprender algum instrumento musical, ele começou tarde. Somente aos 19 anos, tocando violão. Não se espelhou em ninguém em casa. A exceção é a irmã, poeta e recentemente contrabaixista. Porém, mesmo não havendo essa assessoria mais técnica, houve apoio e influência no modo como as mulheres que o cercam sempre encararam a vida. “Minha avó, minha mãe, minha tia, minhas filhas e minha mulher (que tem como hobbies a pintura e a poesia)”, expõe.

Sobre novos projetos, conta que o principal é a divulgação de Opereta Trum. Ele lembra o apoio do conselho municipal de cultura, da Secretaria de Municipal de Cultura, Esporte e Turismo e da Prefeitura de Cuiabá, além de todos os músicos que tocam com ele no EP.

Gente do quilate do violeiro André Balbino, mais o baixista Igor Carvalho, a percussionista Juliane Grisólia, a esposa e vocalista Julianne Moura, Dandara, MaykonnSauder, Roger Dário, Lis Barbosa e Carlos Leal.

No show, além das canções dele, há as de outro Caio, o Costa, parceiro de longa data. A intenção também é divulgar com mais calma o disco Projeto Retângulos do Rio, que ele compôs e gravou em parceria com o ex-baixista do Vanguart, Júlio Nganga.

Partidário da música autoral desde sempre, sabe bem das dificuldades de manter-se somente com elas. “Música autoral nasce estranha e com o tempo assimilamos, como qualquer música inédita. O estranhamento é natural e isso gera certa dificuldade pra tocar, porque custa organização, dinheiro e tempo pra isso. É um empreendimento. Não é uma desculpa”.

Por outro lado, sabe que covers são uma maneira de criar empatia mais instantânea com o público, especialmente aquele absolutamente novo, que o desconhece. “De outro lado, por valorizar o ato de compor, não toco tanto na noite, por isso tenho outras atividades, como a de ator, revisor ortográfico, entre outras (risos). Estou pensando em fazer cover pra divertir o público e a mim também”, entrega.

Acervo Pessoal/Divulgação

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Junto com o baixista Igor Carvalho e a percussionista e cantora Juliane Grisólia, que participam do disco e show Opereta Trum. O cantor Caio Mattoso está ao fundo, na janelinha do aquário do estúdio

As influências musicais são várias: Quinteto Armorial, Scott LaFaro, Ron Carter, Miles Davis, Céu, Palavra Cantada, Tame Impala, of Montreal, Raul Seixas, Lord Crossroad, The Doors, Osviralata, Roberto Victório, Macaco Bong. “Não sei se trata de influências, mas o que a gente ouve durante a vida influencia certamente. Gosto muito da sua banda Zagaia”.

O processo criativo começa pela lida com as sonoridades. Ultimamente, tem se apoiado nos vários instrumentos da orquestra digital, utilizando a soundteca de software e tocando com controlador midi. Lembra momentos como o convite da Orquestra Sinfônica da UFMT, quando foi, nas palavras dele “xingado” (risos) de músico erudito pelo maestro Fabrício Carvalho.

Revela que a leitura de livros de filosofia o tem confundido na hora de compor canções populares porque esses textos o deixam mais crítico na hora de colocar as palavras no papel. “Mas com a graça da graça de fazer música divertida, vou superar”, afirma. 

Mas há método na loucura de Caio, por mais que ele não admita muito ao dizer que horários e metodologia dependem do tipo de música que vai compor. “Na canção popular, pego o violão, toco acordes e lanço textos melódicos”, mas isso muda um pouco se há um bom instrumentista por perto, porque aí é só seguir a melodia de acordo com a regra sistemática da música e daí em diante colocar o texto, o canto. Música de orquestra dá mais trabalho, pois são vários os instrumentos, além das durações maiores das composições.

“Para doze minutos de música, trabalho um mês na composição, mas não tenho horário determinado. É necessário seguir o fluxo de onde você mora ou está”, diz, entregando, quase sem querer, que compõe mesmo é nos intervalos entre os cuidados com a filha, a esposa e os vários bicos de revisor ortográfico e ator utilizados para complementar a renda.

Galeria de Fotos

Credito: Acervo Pessoal
Numa das várias performances dele (Caio Mattoso) e outros artistas, numa das muitas edições do Sarau Lá em Casa, promovido por ele e a esposa
Credito: Reprodução
Caio sabe que o preço das coisas (amores, família, vida social) não se baseia em dinheiro
Credito: Reprodução
Junto com o baixista Igor Carvalho e a percussionista e cantora Juliane Grisólia
Credito: Reprodução
Caio Mattoso junto com suas filhas Bruna e Teresa em momento descontraído em casa
Credito: As músicas trazem os temas habituais de Caio: arte, amor e denúncia social
Credito: Reprodução
Às vezes eu ganho dinheiro, mas nesse mundo da arte existe mais que o artista, existe o gosto, a mídia e o mercado, diz Caio
Credito: Reprodução
Caio se prepara para lançar o novo trabalho
Credito: Divulgação
São muitos artistas em um único Caio
Credito: Divulgação
Caio Mattoso em um dos espetáculos
Credito: Divulgação
Simplesmente vou pela sonoridade, diz Caio Mattoso
Credito: Divulgação
Performático, com seus personagens, o artista agora se dedica mais ao universo musical
Credito: Divulgação
Compositor e cantor, Caio Mattoso se prepara para lançar o EP Opereta trum
Credito: Divulgação
Caio Mattoso em sua construção e desconstrução para criar seus próprios sons
Credito: Divulgação
Caio Mattoso e André Balbino

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Comentários (2)

  • Caio Mattoso | Terça-Feira, 09 de Maio de 2017, 17h20
    0
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    Tava lendo aqui a matéria, ficou muito linda, sr. Rodivaldo. Vlw geral, queridão.

  • caio | Domingo, 07 de Maio de 2017, 02h41
    0
    0

    dia 13, Rodi, bj

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