A malha rodoviária estadual em Mato Grosso é de 30 mil km, mas apenas 6,2 mil km desse total são pavimentados. Os dados do governo demonstram que quase 80% das estradas estaduais estão à mercê de investimentos em infraestrutura e suscetíveis a intempéries climáticas que abrem buracos e atoleiros e prejudicam diretamente a vida dos cidadãos, além de comprometer o escoamento de grãos, principal atividade econômica do Estado.
Um levantamento divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), no início do mês passado, revelou que o Brasil superou a produção norte-americana e se tornou o maior produtor de soja do mundo. Somente Mato Grosso detém 29% do que é produzido nacionalmente.
Segundo o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, no entanto, o problema da infraestrutura não se restringe à falta de asfaltamento, já que mesmo as rodovias pavimentadas precisam de melhorias. “Elas são, em sua maioria, ruins e até péssimas. Hoje somente os trechos pedagiados pelas associações podem ser classificados como bons”, avalia.
Como exemplo, ele cita as estradas que ligam Lucas do Rio Verde a Tapurá e Sorriso a Nova Ubiratã. O gargalo, ainda de acordo com Ferreira, se deve à falta de recursos para melhorias nas estradas. Segundo sustenta, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), criado no governo de Dante de Oliveira (já falecido), tinha o objetivo de destinar 30% da arrecadação à habitação e os outros 70% ao transporte. “De lá para cá, governadores encaminharam a Assembleia 14 leis alterando o Fethab. Todo o recurso para o transporte acabou. A Setpu trabalha com migalhas. É um Estado caótico”.
A deputada estadual Luciane Bezerra (PSB), coordenadora do Fórum de Transportes e Cargas, também aponta a pulverização dos recursos do Fethab como a maior responsável pela atual situação das estradas. “Não precisaríamos de MT Integrado se o Fundo estivesse sendo usado para os fins para ao qual foi criado. Não precisaria de financiamento. Esse ano Fethab vai arrecadar R$ 1 bilhão”, sustenta a parlamentar.
Composto por 10 entidades ligadas ao setor produtivo, o Movimento Pró-Logística entregou, em 2012, um projeto de manutenção e conservação de 120 de rodovias estaduais, essenciais para resolver o impasse da logística no transporte de grãos do Estado. O documento recebeu o nome de Rotas Estaduais do Agronegócio.
Os trechos apontados no relatório somam cerca de 10.800 km. Desse total, 7,700 km não são pavimentados. De acordo com o Movimento, seriam necessários R$ 650 milhões para recuperar as vias, no prazo de dois anos. Para a conservação e manutenção seriam R$ 276 milhões ao ano.
O projeto não obteve resposta por parte do governo do Estado, conforme ressalta Edeon Ferreira. “Não recebemos nada até agora. O governo estava extremamente focado na Copa deixando de lado o setor produtivo que é quem está pagando a conta”, endossa o diretor.
O secretário de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana, Cinésio Nunes de Oliveira, por sua vez, rechaça as afirmações do representante do segmento e explica que o Governo Silval utilizou as informações passadas pelo Movimento para nortear muitas de suas ações de recuperação de estradas. Com relação aos do Fethab e às críticas ao MT Integrado, o chefe da pasta foi sucinto. “Sem requerer desvalorizar qualquer segmento, mas o foco do MT Integrado foi social e não de produção, de escoamento”, declarou.
Chuvas e pontes
Neste mês, o problema das estradas de Mato Grosso ganhou um novo capítulo. Devido às constantes chuvas, 17 prefeituras do Estado decretaram situação de emergência. Outras quatro estiveram na iminência de declarar, além de oito que apresentaram princípio de anormalidade, ou seja, o surgimento de problemas isolados, como interdição de estradas. Os números foram divulgados pela Defesa Civil e disponibilizados à Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM).
Entre as cidades mais castigadas estavam Aripuanã, Barra do Bugres, Colniza, Terra Nova, Sorriso e outras da região Norte do Estado, que possuem extensão de malha viária ainda sem asfalto.
O isolamento de cidades por causa das chuvas e as precárias pontes de madeira ao longo do território preocuparam autoridades e entidades acerca da perda de produção no agronegócio.
Assim, veio à tona um projeto de 2012, ano no qual o governo conseguiu autorização para contrair um empréstimo de R$ 470 milhões para utilizar na construção de pontes de concreto em todo o Estado. Em 2013 foi definido para quais cidades os recursos seriam destinados. O projeto, todavia, caminha a passos lentos.
Pedágios
As rodovias estaduais enfrentaram outra polêmica nos últimos meses. Uma delas foi em torno da MT-251 e agregou centenas de pessoas em uma mesma causa: oposição à possível cobrança de pedágio na estrada que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães e Campo Verde. Movimentos contrários foram identificados nas redes sociais, na Comissão de Infraestrutura Urbana e Transportes da Assembleia, e no Legislativo de Campo Verde, cujos vereadores fizeram um abaixo-assinado com 6 mil assinaturas em retaliação à medida do governador Silval. Na última sexta (14), o peemedebista desistiu da ideia.
Já em Rondonópolis, o Procon multou a concessionária Morro de Mesa, que detém a concessão da rodovia MT-130 ligando o município a Primavera do Leste, por cobrança indevida de pedágio. Os deputados estaduais da região José Riva (PSD), Sebastião Rezende (PR), Emanuel Pinheiro (PR) e Zeca Viana (PDT) também entraram no caso. Eles cobraram a manutenção da rodovia que estaria depredada, mesmo com a alta taxa cobrada dos motoristas. Cogitou-se, inclusive, a retirada da empresa do comando da estrada.



















