Os Centros de Treinamento (COTs) da Barra do Pari em Várzea Grande e da UFMT em Cuiabá, que deveriam ter sido entregues em maio deste ano, antes da Copa do Mundo, continuam em obras e o ritmo é lento. Ambos estão sob responsabilidade da Engeglobal Construções, que conseguiu novo prazo junto ao governo do Estado para o término das obras, 31 de dezembro, data do vencimento dos contratos.
De acordo com a Secopa, as obras estão atrasadas pelo fato de a empresa responsável ter passado por uma reestruturação. “É notório que a empresa tinha um problema de gestão, inclusive, houve até uma demissão em massa dos contratados. E, agora, segundo a Engeglobal, estão readequando e retomando os trabalhos em sua integralidade nos próximos dias”, explica o secretário Maurício Guimarães.
O Consórcio Barra do Pari é formado pelas empresas Engeglobal, Três Irmãos e Valor Engenharia. Conforme a Secopa, já recebeu o 3º termo aditivo de prazo. A obra, com os aditivos, chega aos R$ 31,7 milhões. Desse montante, foram pagos mais de R$ 22 milhões, quase 70% do total. Já o Consórcio Campus Universitário, formado pelas empresas Engeblobal e Três Irmãos, também está em seu 3º termo aditivo, cujo valor do contrato chega a mais de R$ 19,5 milhões, dos quais foram investidos R$ 14,4 milhões, mais de 75% do montante.
Gilberto Leite/Rdnews
Inacabado, COT Barra do Pari deveria ter sido principal centro de treinamento da Copa
Enquanto isso, os estudantes da UFMT continuam sem local apropriado para a prática de algumas modalidades esportivas, como o atletismo e futebol e relatam o descaso do governo com a comunidade acadêmica. “A disciplina ‘Futebol’ está sendo feita em outro campo, fora de mão para os alunos. A estrutura de lá é vergonhosa, nem água nós temos para tomar, precisamos levar de casa. Essas aulas deveriam ser feitas no COT”, desabafa a estudante do 1º semestre de Educação Física, Lígia Bezerra.
Para a aluna do 7º semestre do mesmo curso Danielle dos Santos, a situação que o COT se encontra é consequência de um governo ausente e do descanso dos órgãos reguladores, que não vistoriaram e cobraram de forma enérgica o conjunto de obras para o mundial. “Por conta de um governo omisso, nós estamos arcando com esse prejuízo. Aulas precisaram ser remanejadas, temos que nos deslocar para outros lugares e com isso o atraso nas aulas é inevitável”, completa.
Segundo o secretário, no COT da UFMT, os trabalhos que envolvem a cobertura sobre a arquibancada continuam em execução e a construção da pista oficial de atletismo ainda não foi iniciada. No COT do Pari, continuam apenas os trabalhos de revestimento e alvenaria, os demais estão concluídos. Depois de prontos, ficarão sob gestão da Universidade e do Corpo de Bombeiros ou da Prefeitura de Várzea Grande, após definição do governador eleito Pedro Taques (PDT).
De acordo com a Secopa, caso os Consórcios não cumpram o novo prazo para conclusão das obras, o contrato poderá ser rescindido e penalidades serão aplicadas. “As empresas poderão ficar de fora de licitações por um período de até quatro anos, além da aplicação de multas”, esclarece o secretário.
COT UFMT
Com capacidade para abrigar 1,5 mil torcedores, o COT da UFMT está sendo construído ao lado do Ginásio Poliesportivo da universidade e tem como diferencial a construção de uma pista oficial de atletismo de padrão internacional, com piso sintético e 400 metros de comprimento. Idealizado pelo arquiteto e professor da instituição, José Afonso Portocarrero, a obra atende, segundo a Secopa, às normas legais e recomendações técnicas que asseguram o acesso de pessoas com necessidades especiais (como cadeirantes, cegos, surdos, mudos, obesos e idosos) aos vestiários, banheiros, área destinada à imprensa, camarotes, áreas VIP e em toda a extensão do COT.
COT Barra do Pari
Construído em uma área total de aproximadamente 52 mil m², o COT deverá se transformar no primeiro estádio de Várzea Grande. O projeto garante acessibilidade a todos.
A obra conta com salas de imprensa, cabines de transmissão, vestiários, camarotes, 250 vagas de estacionamento (20 delas exclusivas para idosos e pessoas com deficiência), lounge, salas de musculação e fisioterapia, alojamentos, lavanderia, cozinha, refeitório e restaurante.

















