Arte e Cultura

Sábado, 29 de Fevereiro de 2020, 12h:37 | Atualizado: 01/03/2020, 08h:15

MÚSICA E POESIA

Depois de morar na rua, usar drogas e ter depressão, vida de rapper tem reviravolta

O Rap é a voz da periferia, e ela se define apenas como uma mensageira do gueto. Karla Vecchia, 29 anos, diz que faz seu rap com sentimento e sua verdade ao cantar e chorar tudo o que se passa nos corações mais aflitos. “Trago toda essência do verdadeiro Rap. Lembramos daqueles que são esquecidos. Enxergamos aqueles que ninguém mais enxerga”, descreve. 

Arquivo pessoal

Falando das próprias experiências, ela narra partes da história e dá voz as mulheres periféricas

Falando das próprias experiências, ela narra partes da história e dá voz as mulheres periféricas, sua maior preocupação é que possam ter mais esperança

O que torna a arte de Karla ainda mais realista é que ela viveu todas suas rimas. Foi moradora de rua na juventude por cinco anos, sofreu violências de todos os tipos, inclusive físicas e sexuais e usou drogas pesadas, como o crack. No entanto, conseguiu se recuperar antes que fosse tarde demais. “Enfim entrei para um tratamento em uma clínica de reabilitação, fiquei por algumas semanas e consegui passar pela fase da abstinência. Meu próximo desafio seria me manter limpa sozinha e na casa da minha família, consegui”, conta ao

Entre suas maiores inspirações musicais estão grupos do cenário nacional como Facção Central, Racionais MCs, Detentos do Rap, SNJ e muitos outros que Vecchia define como o verdadeiro rap. 

Arquivo pessoal

Karla sempre gostou da cultura hip hop, mas vou no rap que conseguiu soltar ainda mais suas rimas

Karla sempre gostou do movimento hip hop, mas foi no rap que conseguiu soltar ainda mais suas rimas, se identificou e cresceu os talentos até a poesia

Essa não foi à única superação por qual a artista teve que passar, já que em sua segunda gestação enfrentou também a depressão, mas que ela acredita ter te dado uma visão mais madura e “empoderada” de quem realmente ela é. Para ela, mais do que fazer música, tem um legado de levar mensagem para todas as mulheres de são capazes de superar desafios, que podem ser quem são sem medo e sem segredos. “Encorajá-las a realizar os seus sonhos, independente do que a sociedade prega. Além delas, levar a mensagem a todas as crianças, junto ao movimento do hip hop, que é a cultura de rua, muitocapaz de ensiná-los que o mundo precisa de amor e de paz”, acredita.

Nova fase e muitos lançamentos

Seu primeiro e mais novo a álbum está sendo gravado por uma produtora Independente chamada Real Sul Produção Musical, que fica na Zona Sul de São Paulo. Com mais de dez faixas, todas as canções são autorais e dão voz às mulheres periféricas. “As músicas mostram a realidade de um sistema falido. Canções que abordam temas como álcool e drogas, violência contra mulher, movimento do hip hop, e pedofilia. Estamos fazendo tudo sem pressa”, conta. 

Arquivo pessoal

Com maternidade ela diz ter amadurecido e vive nova fase

Com a maternidade, ela diz ter amadurecido e vive nova fase de sua carreira, feliz e completa

Além deste álbum, a rapper também lança dois videoclipes este ano, como o da música  "Vivendo pela Fé" que tem a participação do Cascão do Trilha Sonora do Gueto, um dos grupos de mais destaque em São Paulo no segmento do Rap Gangsta. Outro trabalho que tem gerado expectativas é o videoclipe da música "O sol voltará a Brilhar", onde Karla e Mano Flér, que é uma das referências musicais em todo Brasil, dão voz as mulheres encarceradas. “Esta, no caso, é uma música extremamente forte e necessária. O contrato foi assinado com Baguá Records, e este parceiro musical canta rap há mais de 25 no Paraná também com muita visibilidade no país inteiro”, revela.

A literatura também resiste na periferia

No primeiro trimestre deste ano entra em ação um projeto de literatura que é contemplado e realizado pela Secretária de Cultura do estado de Mato Grosso, isso, ao contar com uma coletânea com 10 poetas mulheres de Mato Grosso. Entre as definições, um projeto cheio de nuances, vontades, feminilidade e pensamentos diferentes, unidos por um único propósito, que é mostrar a força da mulher. Karla ainda revela que o projeto contará com oficinas de poesia na rede pública de ensino, mas que segue em seus planos levá-lo para os presídios femininos. “Nosso intuito é levar voz e vez para aquelas que ainda não entendem a importância que tem. É levar esperança, queremos dar as mãos”, salienta.

O que dá força a mensagem de Karla é que é preciso falar, tanto na música, quanto na poesia e reforça. “Colocar pra fora sem restrições, com verso livre”, finaliza.

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Comentários (1)

  • Tainara | Domingo, 01 de Março de 2020, 12h08
    3
    0

    Muita admiração e respeito tô vc Karla Exemplo de superação.

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