Arte e Cultura

Domingo, 08 de Março de 2020, 15h:50 | Atualizado: 08/03/2020, 15h:58

Mulher faz defesa das minorias, com arte e hip hop na periferia na Capital - fotos

Arquivo Pessoal

Ligia Viana

Crescida no interior de Mato Grosso, Lígia Viana chegou à Capital com apenas 17 anos. Sempre foi conectada às pautas sociais, porque os pais eram sindicalistas. Hoje, aos 38 anos, se destaca na cena do hip hop, com muita arte, e na rede que consolida junto a outros parceiros, com o projeto Favelativa. “Cresci numa família de educadores, minha mãe, professora de português, e meu pai, professor de matemática. Ambos sindicalistas e heranças de resistência em minha vida, então em certo momento considerei que precisava ser alguém que fosse contribuir com o mundo de alguma maneira”, conta à reportagem.

Foi com o movimento do hip hop que conheceu a área de cultura e passou por um processo longo de formação, até o momento que se reconheceu como uma mulher que leva isso como um estilo de vida.

Projetos com a “perifa”

Em 2007 o coletivo Favelativa foi fundado como uma união de forças de Lívia e do DJ Taba, além de outras pessoas da comunidade Jardim Vitória, com o objetivo de trabalhar com formação através dos elementos do hip hop sendo os pilares principais, DJ, MC, Break, Grafite e Conhecimento. Tudo isso aliado ao protagonismo da periferia.

Já o Mulheres do Hip Hop surgiu em 2015, composto por outras artistas do movimento e também por donas de casa e simpatizantes do movimento. Todas elas, com algo latente similar, a vontade de organizar e criar às próprias perspectivas e protagonismo na cena hip hop e cultura.

Acredito que a formação é um caminho lento, mas com impacto profundo

Lígia reitera que as periferias cuiabanas vivem numa situação de vulnerabilidade social, esgoto a céu aberto, falta de escolas estruturadas pra uma educação digna, saúde precária e sem remédios. Além disso, os transportes públicos sempre estão lotados e qualidade da água insalubre. “É um peso grande essa função da sobrevivência, não tem tempo pra família, muitas vezes o dinheiro não dá para o alimento, nem pagar os boletos, muitos não conseguem nem se aposentar. São pessoas exterminadas pela força das grandes produções”, reflete.

Por isso, sua contribuição tem sido massivamente falar sobre essas realidades por meio Favelativa e Mulheres do Hip Hop, com muitos elementos do hip hop. “Das tradições, da ancestralidade, do fazer artístico, do mercado de trabalho, que devemos nos organizar e criar perspectivas que podem transformar nossa realidade. Acredito que a formação é um caminho lento, mas com impacto profundo, como diz o ditado, podem tirar tudo de mim, menos meu conhecimento”.

Galeria: Projetos na "perifa"

Arte como ferramenta de transformação

“A arte me salva todos os dias, me mostra caminhos de enfrentar a vida de forma orgânica, coletiva, autogestão e principalmente acreditar na humanidade”, é com essa frase que Lígia defende seu empenho nas artes. Com tantos projetos, ações e oficinas, ela crê que isso pode salvar vidas assim como salva a própria vida, todos os dias.

“Em um momento político desses que estamos vivendo de retrocesso, a arte é o suspiro da vida, é a que mostra que podemos ser resistência só pelo fato de existir”, completa.

Nas oficinas apresentamos pelos projetos em que atua, como as técnicas dos elementos do hip hop, sempre há a associação das questões sociais da periferia, das pessoas negras e indígenas, bem como as histórias desses povos. No processo de desenvolvimento das ações, o impacto desse contato com a arte é contagiante, primeiro se tem o estranhamento, depois se reconhece parte daquela cultura. “Quando se vê já temos mais artistas na cena cultural, ou também aqueles que só ficam felizes de experimentar o processo artístico, ou mesmo ser um público que entende do que está acontecendo”, define.

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Comentários (1)

  • kaco do CPA | Segunda-Feira, 09 de Março de 2020, 14h03
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    0

    ME REPRESENTA... PARABÉNS COMPANHEIRA..

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