Arte e Cultura

Domingo, 09 de Junho de 2019, 07h:40 | Atualizado: 09/06/2019, 08h:40

Há 8 anos, companhia "Pé de Pano" leva arte educativa para rincões de MT - fotos

Divulgação

P� de Pano

Liudmila Diaz percorre Mato Grosso e leva a arte até rincões 

Há oito anos, a artista Liudmila Diaz, 33, percorre o Estado e regiões vizinhas com sua arte para crianças e adultos. Junto com a filha, de oito anos, e um amigo, ela integra a Companhia Pé de Pano, que leva um mundo encantado para regiões que dificilmente recebem eventos artísticos.

A companhia, segundo a artista, tem o objetivo de levar arte e educação por meio de diversas abordagens, como teatro de lambe-lambe, leitura, narração de histórias, bonecos e diversas oficinas dentro do mundo das artes.

A Pé de Pano nasceu em Chapada dos Guimarães, em 2011. Desde então, já se apresentou em cidades mato-grossenses como Cuiabá, Nova Mutum, Primavera do Leste, Poconé, Cáceres e Rondonópolis. Ela também já foi para municípios de outros estados, como Alta Floresta do Oeste (RO) e Assis (SP).

Liudmila trabalha como artista há 12 anos e havia atuado em outras companhias de teatro. Em busca de um grupo próprio para trabalhar com arte e educação, criou a Pé de Pano. "Hoje, eu e minha filha somos unidas pelo amor ao teatro de rua, à cultura popular brasileira e aos bonecos", diz.

A companhia apresenta sua arte por meio de temas educativos, principalmente com assuntos culturais relacionados ao Brasil e a Mato Grosso.

“O nosso principal objetivo é trabalhar arte e educação de forma itinerante, pesquisando as diversas culturas populares do Brasil. Acredito que uma educação de qualidade deva estar baseada na realidade e no contexto das pessoas, por isso a transmissão e valorização da cultura é de extrema importância”, afirma a artista.

O nosso principal objetivo é trabalhar arte e educação de forma itinerante

Liudmila Diaz

Entre seus materiais de trabalho há duas caixas de teatro de animação lambe-lambe, nas quais conta as histórias de um garoto que vive situação de extrema vulnerabilidade social e a de um artista amado e odiado nas ruas. Para ela, tais personagens são formas de conscientizar as crianças sobre o mundo.

A companhia possui outras atrações, como o espetáculo "Contos da Nossa Terra", que traz narrações de histórias de Mato Grosso e as leituras de histórias infantis para ensinar o gosto pela literatura. Um dos destaques do grupo é a boneca Carmem, definida pela artista como "uma cigana marcada pelo desgaste de sua vida itinerante e pelo preconceito".

“Carmem, interage com o público barganhando histórias, trazendo questionamentos reflexivos sobre as diversas formas de viver a vida e aguçando as percepções do público com cheiros e sabores das especiarias que carrega consigo”, explica Liudmila.

Além de mãe e filha, a Pé de Pano também conta com a presença do artista Lucas Ciol, que é psicólogo no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Chapada dos Guimarães e há um ano faz o teatro de lambe-lambe da companhia e realiza oficinas voltadas sobre arte circense.

Liudimila também trabalha no Cras de Chapada. Ela concilia a carreira de artista com a função de facilitadora de expressão corporal. Já a pequena Lis se divide entre a vida de estudante e a de artista. “A minha filha nasceu dentro do teatro de bonecos. Desde sempre acompanha a companhia brincando os bonecos, participando das cenas e fazendo parte dos processos criativos”, diz a fundadora da companhia.

Galeria: Grupo Pé de Pano

Os integrantes da Pé de Pano não se consideram atores. "Tampouco almejamos palcos. Somos brincantes da rua, estamos nas feiras, nas praças, nas escolas e nas comunidades rurais. Investimos em formações e vivências que compreendam esse universo", conta a artista.

Levando cultura a todos os cantos

Divulgação

Pé de Pano

Entre materiais de trabalho, há caixas de teatro "lambe-lambe"

Para Liudmila, uma das situações mais especiais que vivenciou com a Pé de Pano foi em uma escola indígena, em Alta Floresta do Oeste. No local, ela e uma amiga, de outra companhia, precisavam, em poucos dias, montar uma cena de teatro de bonecos. "Mas a igreja evangélica tinha se instalado há 15 anos na aldeia do povo Tupari e eles não podiam mais contar suas lendas, cantar suas músicas e praticar seus rituais. Como consequência, aquele povo está se esquecendo de sua história e tradições", diz.

A artista conta que passou, junto com a amiga, três dias conversando com as mulheres indígenas da aldeia, para ganhar a confiança delas.

Depois, descobriram uma história daquele povo. “Preparamos rapidamente a narração e fomos apresentar na escola para as crianças indígenas, que pela primeira vez estavam escutando uma história sobre o seu povo. Ver a expressão das crianças se identificando e se divertindo com a história foi muito gratificante”, orgulha-se.

A arte é a forma que Liudmila encontrou para se sentir em paz e feliz. Em razão disso, tenta driblar as dificuldades financeiras enfrentadas por quem vive de apresentações artísticas em Mato Grosso e no Brasil. “Estamos passando por um período de forte recessão financeira. As instituições que sempre contratavam as apresentações já não podem oferecer o suporte básico que ofereciam antes. Essa carga recai sobre o artista, e o cachê diminui bastante”, lamenta.

Nos próximos anos, ela avalia que o cenário poderá ser ainda pior no meio artístico. “Vão tirar, já tiraram e vão continuar tirando os recursos destinados à cultura, além da censura que já começa a aparecer. Acho que tempos difíceis estão por vir. Não é novidade que a cultura seja sempre a primeira a ser deixada de lado. Mas também não é novidade que a produção sempre aconteceu e continuará crescendo em toda as suas possibilidades”, diz.

“O cenário cultural brasileiro continuará se desenvolvendo, se reinventando e criando estratégias para sobreviver, porque a arte é necessária e inata ao ser humano”, afirma.

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