Arte e Cultura

Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 08h:33 | Atualizado: 24/11/2019, 09h:33

Rainha do Congo é memória e resistência viva dos quilombos do Estado - conheça

Arquivo pessoal

Rainha do Congo ganhou t�tulo por defender a cultura e � sucessora de Teresa de Benguela

Rainha do Congo ganhou título por defender a cultura e é sucessora de Teresa de Benguela

Como sucessora de uma das maiores referências da negritude do Brasil, Teresa de Benguela, a atual Rainha do Congo – Nemézia Profeta Ribeiro, de 76 anos, reside no mesmo quilombo onde viveu Teresa.

Ela relata à reportagem que o racismo ainda é forte no Brasil e a desigualdade ainda não foi vencida. As conquistas, através dos anos de luta, durante e após a escravatura, precisam continuar. 

Arquivo pessoal

Gera�es aprendem como preservar cultura com Rainha

Gerações aprendem como preservar cultura com a ancestral 

Para ela, 20 de novembro (comemorado nesta semana) não é um feriado, mas dia de memória e ancestralidade de um grande guerreiro que lutou pelo povo brasileiro – Zumbi dos Palmares.

“Digo que a consciência negra é que temos que ter enquanto sucessores de quem lutou por nós. Não se trata de um feriado de negros, mas um dia para entendermos a história do Brasil. Zumbi é lembrado de forma recente, assim como a importância histórica de Tiradentes, e se ainda querem questionar a legitimidade dessa luta, é sinal de que realmente não entenderam nada”, desabafa.

Dona Nemézia é daquelas senhoras alegres, dançantes e que sabe bem da sua força. Além de memória viva da cidade onde nasceu, Vila Bela da Santíssima Trindade, ela atua há 60 anos atua na organização da Festa do Congo e da Festa do Divino Espírito Santo. Além das questões folclóricas do quilombro e do povo negro – ela reforça as reflexões cotidianas na luta por mais respeito e igualdade.

“Vila Bela foi a primeira Capital do Estado e aqui resiste muita memória. Meu legado, após tantas mulheres negras e inclusive Teresa, é dizer que nosso povo não é menos que qualquer outro – e que todas as conquistas que tivemos vieram através de muito suor e sangue. Se hoje existem negros dentro da universidade, precisamos comemorar, até pouco tempo atrás lutávamos por liberdade”, reflete.

Há 128 anos a abolição da escravatura foi assinada, o que para Rainha do Congo, foi apenas simbólica – pois ainda existe muita coisa a se conquistar. O preconceito, em sua concepção, é algo forte no mercado de trabalho e pessoas que buscam ter as mesmas oportunidades. “Há quem diga que cotas nas universidades são desnecessárias, como se não nos tivessem negado isso no passado, como se não estivéssemos correndo atrás do atraso. As feridas sociais são muitas, e penso que – existe quem entre por meio de cotas, para um aluno entrar na universidade precisa de uma nota mais alta. Disseram que a maioria, pela primeira vez, é de negros e pardos nas universidades. Talvez os negros mais claros, os retintos são minoria. É só entrar nas salas de aula e ver”, acredita. 

Galeria: Defensora do povo negro

Todas as conquistas que tivemos vieram através de muito suor e sangue. Se hoje existem negros dentro da universidade, precisamos comemorar, até pouco tempo atrás lutávamos por liberdade

Nemézia Profeta Ribeiro

Diz, se referindo à última pesquisa lançada pelo IBGE sobre os negros inclusos nas universidades. Apesar de ter estudado apenas o ensino fundamental, Nemézia sabe detalhes da história do Brasil e comenta que o que estudou, soube aproveitar muito, e até montada em burro ia para escola – junto aos irmãos, que também frequentaram a escola, outras décadas atrás. Foi servidora pública enquanto atuou como fiscal do Estado e, em 1980, foi nomeada a primeira mulher exatora chefe, na secretaria de Estado de Fazenda, cargo equivalente gerente fazendária, mesma função em que posteriormente se aposentou. 

Arquivo pessoal

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Mulheres negras que se orgulham da história

Legado de Teresa 

Na região existem muitos descendentes de africanos e chiquitanos e com sua dedicação aos movimentos culturais que Nemézia recebeu o titulo de Rainha do Congo, assim como a Rainha Teresa, que ficou conhecida mundialmente – bem como Zumbi dos Palmares – por sua defesa ao povo negro e luta por liberdade.

“Independente do momento político que vivermos, jamais podemos abrir mão de nossos direitos. No passado foi ainda mais difícil, mas estamos aqui. Precisamos erguer a cabeça. Para defendermos nossas raízes, precisamos conhecer nossa história e ter acesso a ela. Nenhum negro defenderia ao contrario se soubesse de tudo que passamos para chegarmos até aqui”, finaliza.

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Comentários (1)

  • Jair Benedetti | Sábado, 23 de Novembro de 2019, 05h47
    2
    0

    Grande Senhora, integra, inteligente, contestualizada em seu tempo. Parabéns dona Nemézia.

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