Mário Okamura
Parque Mãe Bonifácia em Cuiabá recebe, por semana, cerca de 600 pessoas. Aos sábados e domingos, frequência mais do que dobra com 1,5 mil visitantes
Antes de parque, trata-se de uma unidade de conservação sob cuidados do Exército. Caso contrário, já teria sido privatizada e virado condomínio de luxo em Cuiabá. É com essa ponderação que se inicia a entrevista com o coronel Celso Benedito Pinheiro Ferreira, gerente do Parque Mãe Bonifácia desde 2010.
A narrativa segue em crescente entusiasmo ao contar que seu carinho pelos 77,16 hectares de bioma Cerrado, em área nobre da Capital começou antes de a unidade ser aberta à visitação, no ano 2000. Tempos em que o coronel Celso era, ainda, um soldado do Exército. “Eu tenho um carinho muito grande por este lugar. É uma luta constante de conscientização com a comunidade lembrar que aqui, antes de tudo, é uma área de mata", lembra.
Mário Okamura
Coronel Celso Ferreira, gerente do Mãe Bonifácia desde 2010, aprecia reserva desde quando era soldado do Exército
Coronel Celso conta que, em diversos governos, foram feitas interferências com eventos gigantescos, como de Páscoa e Natal, que reuniam mais de 3 mil pessoas e elas permaneciam durante todo o dia no parque. "Sem banheiros e sem estrutura, as pessoas faziam suas necessidades em lugares inapropriados ou depredavam a natureza. Sem contar a poluição sonora que prejudicou, e muito, a vida dos animais”, explica.
O gerente ainda menciona projetos que não seguiram em frente na época dos governos de Dante de Oliveira ou Blairo Maggi, como lago artificial ou quadras esportivas, que modificariam de forma abrupta o ambiente. No local, por semana, transitam cerca de 600 pessoas. Aos sábados e domingos, a frequência mais do que dobra e o parque recebe cerca de 1,5 mil visitantes.
Desde que foi aberto para comunidade, um dos ganhos para o local, segundo o coronel foi a interdição e desmonte do mirante. “Aquilo era gasto de dinheiro público e feito sem planejamento adequado. Sem manutenção a cada três meses, oferecia risco para as pessoas, de cair a qualquer momento. Foi desativado para o bem de todos”, diz ao frisar que agora, em uma das entradas principais, pela avenida Miguel Sutil, há uma área ampla para receber famílias e visitantes.
Hoje, com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), existem documentos que normatizam as atividades dentro da unidade de conservação. O regulamento diz o que pode e o que não deve ser praticado dentro do parque. “Isso foi desenvolvido com base em muitas pesquisas e estudos na unidade de conservação. Somos rigorosos no cumprimento dele e exigimos que sigam as normas”, diz.
Entre as normativas, estão fora de cogitação eventos com mais de 200 pessoas, piqueniques com decoração, tentar forçar a entrada antes das 6h da manhã ou tentar permanecer após as 18h, usar bicicleta, skates e patins e levar cachorro. “Estes horários precisam ser respeitados para não prejudicarmos a fauna, que busca alimento durante estes períodos. Além disso, dentro do parque escurece muito mais rápido e, nem se colocássemos cem policiais militares aqui dentro, conseguiríamos manter a segurança das pessoas. São muitas trilhas e bandidos entram dentro da mata para surpreender as vítimas e cometer assaltos”, argumenta ao lembrar que são feitas recomendações de segurança aos freqüentadores.
Mário Okamura
Academias ao ar livre para a primeira e terceira idade no Parque Mãe Bonifácia complementam as atividades físicas
Celso ainda explica que a maior parte das vítimas acabam sendo mulheres. Segundo ele, é quase unânime elas usarem fone de ouvido e o celular em um suporte no braço. Assim acabam não percebendo quando os criminosos se aproximam e, sem tempo de pedir ajuda, não recuperam os objetos roubados. Segundo o coronel, ainda não há registro de nenhuma tentativa de estupro no local.
Ao todo, são vinte funcionários de limpeza de uma empresa terceirizada e três funcionários de segurança por turno, além de dois policiais militares que circulam pela área. Duas motos com equipe de segurança fazem ronda em seus respectivos turnos. “Fora as vítimas de assalto, temos também os adolescentes que tentam dar alimentos para os animais e até insistem em dar chiclete para os macacos. Há também casais que entram na mata a fim de namorar, mas não permitimos”, salienta.
Segundo Celso, foram catalogados pela Sema mais de 100 pássaros, muitos répteis e outros animais. “Ainda temos preservada uma quantidade grande de plantas e animais. Algumas espécies, preferimos nem noticiar na mídia para evitar caçadores”, pontuou.
A reportagem do
, então, caminhou por alguns pontos do parque e entrevistou alguns dos frequentadores do local. Entre eles, sentado na grama, com roupas esportivas, estava Reinaldo Francisco da Silva, de 42 anos. Reinaldo estava a trabalho no parque, como personal trainer e para prestar assessoria esportiva para um aluno.
"Eu gosto muito deste parque. É um lugar excelente para pessoas de qualquer idade, seja criança, adolescente, adulto ou idoso. Eu uso para trabalho, mas também é ideal para diversão ou se distrair, além de tirar o estresse do dia a dia. Minhas assessorias são por agendamento, mas estou aqui frequentemente nas segundas, quartas e sextas. É um dos parques mais procurados para isso. Apesar de que, com o decorrer dos anos, tenham surgido outros, aqui ainda é a melhor opção", considera.
Já Thamires Carneiro Santos, de 26 anos, foi abordada por nossa equipe quando chegava de uma das trilhas transpirando, ao tomar um pouco de água. "Hoje eu vim dar uma caminhada para aliviar o estresse e foi só uma caminhadinha de leve. Aqui é um lugar incrível para a população e não vejo nenhum ponto negativo. Já vim muito aqui fazer piquenique. Minha filha hoje tem quatro anos, mas comecei a trazê-la desde os seis meses, junto com minhas amigas com crianças da mesma idade", lembra.
Pouco mais à frente, na academia da terceira idade, rigoroso na série de exercícios estava Mauro Coelho, de 87 anos. Ele diz que frequenta o Mãe Bonifácia desde a época do governo de Dante de Oliveira. "Eu amo este lugar. É uma coisa muito boa que fizeram. Venho todos os dias, é uma rotina sagrada. Venho porque o médico indica e também por minha conta. Faço meus exercícios e, quando volto para casa, tomo um pouco de vinho, sem exageros. Para mim, isso é como uma diversão. Em casa, a gente fica sonolento e sem nada para fazer. E quando venho aqui tem movimento e a natureza. Permaneço no mínimo uma hora ou uma hora e meia por dia aqui", conclui.
Brevemente, o parque deve passar por mais reformas, mas já conta com novas pistas de trilha e outras aquisições em parceria com a secretaria, como a reforma no play ground de madeira, ou os investimentos de um plano de saúde no local, como áreas cobertas chamadas para ações e campanhas de conscientização para a saúde, e academias da primeira e terceira idade.



















Silva 03/06/2018
Esse homem todos os dias ele está dentro do parque É um grande administrador Ele ama o parque.
Henrique 02/06/2018
Parabéns ao Cel. Celso. Esse local para ficar 100% falta apenas tratar a água, proveniente de esgoto, que, infelizmente, passa dentro do Parque.
Joao Mendes 01/06/2018
O Parque nasceu da luta do nosso saudoso Dante. Isso quando ele ainda era vereador. Ja como governador, implementou o que sonhara anos attás. Melhor Governador de MT.
Frequentador do Parque 01/06/2018
Esse Parque é uma das grandes obras do Governador Dante de Oliveira, realmente um visionário e um dos maiores estadistas da política matogrossense, e hoje se mantém nesse padrão graças ao zelo e cuidados do Cel. PM Celso, exemplo de administrador.
Cidadão 01/06/2018
Secretário Stopa, o Tia Nair merece uma academia para primeira idade igual a do Mãe Bonifácia.
Adaildon Moraes Costa 01/06/2018
O Parque Mãe Bonifácia é um patrimônio da nossa gente. Vale destacar, o amor, o zelo e o cuidado, que o Cel Celso tem pelo Parque. Um homem exemplar. Agora, os Órgãos de controle e vigilância devem observar o avanço do comércio no entorno do Parque. Os ocupantes destas áreas não perdem a oportunidade de avançar seus muros para dentro do Parque, o ideal que houvesse uma investigação nestas ocupações e a área em que podem ocupar.
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