A Assembleia e Tribunal de Contas - órgão autônomo, que auxilia o Legislativo a exercer o controle externo – foram atingidos em cheio pelo acordo de colaboração premiada (delação) do ex-governador Silval Barbosa (sem partido).
As declarações do político, envolvendo integrantes do Poder e órgão, resultaram na deflagração da Operação Malebolge (12ª fase da Ararath) pela Polícia Federal. Com a autorização do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), gabinetes e residências de deputados foram alvo de busca e apreensão e cinco conselheiros foram afastados. Tudo isso ocorreu em 14 de setembro.
Fablício Rodrigues
Casos de corrupção envolvendo deputados da AL vieram à tona com delação de Silval
Dos atuais 24 deputados, 15 foram citados por Silval em algum caso de irregularidade. Desde chantagem ao recebimento de propina para favorecer o ex-governador.
São eles – em ordem alfabética: Adalto de Freitas, o Daltinho; Baiano Filho (PSDB); Dilmar Dal’Bosco (DEM); Eduardo Botelho (PSB); Gilmar Fabris (PSD); Guilherme Maluf (PSDB); José Domingos Fraga (PSD); Mauro Savi (PSB); Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD); Oscar Bezerra (PSB); Pedro Satélite (PSD); Romoaldo Junior (PMDB); Sebastião Rezende (PSC); Silvano Amaral (PMDB); e Wagner Ramos (PSD).
Fabris foi o único a ser preso durante a operação. Em 25 de setembro, após decisão de Fux, ele se entregou à PF. O parlamentar foi acusado de obstrução à Justiça por, supostamente, sumir com documentos relacionados a investigação.
De acordo com a PF, no dia em que foi alvo de busca e apreensão, ele fugiu de casa com uma maleta preta, de pijamas, e ainda teria contado com a ajuda dos advogados Ricardo Spinelli e Ocimar Carneiro de Campos.
Após 40 dias da prisão, Fabris foi retirado do Centro de Custódia da Capital (CCC) por conta de um alvará expedido pela própria Assembleia. A situação causou questionamentos jurídicos e mais desgaste à imagem dos parlamentares.
A comissão de ética, que foi trocada devido ao envolvimento dos antigos integrantes nas investigações, ainda analisa pedido de abertura de investigação e possível afastamento dos deputados citados por Silval.
Afastados
No TCE o impacto foi ainda maior, pois cinco dos conselheiros foram afastados. O único a continuar no cargo, Domingos Neto, foi obrigado a comandar o órgão de forma interina. Ele, na última semana, foi empossado como presidente.
Antonio Joaquim (ex-presidente), José Carlos Novelli, Waldir Teis, Walter Albano e Sérgio Ricardo de Almeida, que já estava afastado das funções, por suposta compra de vaga, foram proibidos de atuarem no órgão.
Atualmente, o TCE é ocupado pelos interinos Luiz Henrique Lima, Luiz Carlos Pereira, Jaqueline Jacobsen, João Batista Camargo, Isaias Lopes e Moisés Maciel.
Os conselheiros são acusados de terem exigido propina de R$ 50 milhões, para aprovação das contas do peemedebista e para dar seguimentos às obras da Copa.








