Produção recorde de grãos e baixos rendimentos foram tônica da agricultura do Estado em 2017
O ano não poderia ter começado melhor para os produtores rurais de Mato Grosso. A produção de grãos poderia chegar a 60 milhões de toneladas na safra 2016/2017, um recorde para o Estado. No início do ano, o otimismo tomou conta das lideranças.
Para o ex-presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, a projeção de alcançar 30 milhões de toneladas de soja e milho, e 30 milhões de cabeças de gado marcaria 2017 como o "ano dos 30".
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MT conseguiu bater meta de 30 milhões de toneladas de soja em 2017
Mês após mês esta estimativa foi tomando forma, sendo que em agosto o prognóstico em relação à produção chegou a apontar para uma safra de 62 milhões de toneladas, como efetivamente aconteceu. Apesar disso, o montante inédito não se traduziu em rendimento para o produtores. Em grande parte de 2017 o setor acabou lidando com preços baixos. No caso do milho, por exemplo, foi necessária a intervenção do governo federal para escoar a produção.
Na política o setor liderou nos bastidores e às vezes publicamente com um tema recorrente. Por causa da crise econômica que afetou o país nos, pelo menos, últimos três anos, integrantes do governo estadual como o secretário de Cidades (Secid), Wilson Santos (PSDB), sugeriram por mais de uma vez o aumento da taxação em cima do agronegócio. O então secretário Gustavo Oliveira (Fazenda) chegou a admitir essa possibilidade em julho, sendo que anteriormente o presidente da AL engrossou o coro.
Para contrapor a questão, as lideranças ruralistas foram à imprensa argumentando que a decisão não deveria ser tomada porque o agronegócio é superavitário na economia brasileira, que gera muitos empregos e do lado contrário não recebe apoio dos governos. A luta recebeu apoio de outras entidades como a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (Facmat).
As taxações em larga escala acabaram não acontecendo. O governo estadual, contudo, acabou cobrindo o déficit em áreas como a saúde desviando recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) 2.
Sabendo da situação e usando a bandeira da não criação de novos impostos, o produtor rural Antônio Galvan foi eleito como novo presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), em novembro. Oposição da atual gestão da entidade, que permanece até 31 de dezembro, Galvan fez duras críticas ao governo que comumente comunica que as taxações estão em pauta e ainda disse no dia da posse que combaterá a “máfia” dos classificadores de grãos.
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Presidente da Aprosoja Antonio Galvan critica governo e promete combater "máfia" dos classificadores de grãos